{"id":420,"date":"2015-11-08T01:55:01","date_gmt":"2015-11-08T01:55:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ruras.ufscar.br\/?p=420"},"modified":"2015-11-09T02:27:47","modified_gmt":"2015-11-09T02:27:47","slug":"antropologos-filosofos-e-sociologos-face-as-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ruras.ufscar.br\/?p=420","title":{"rendered":"Antrop\u00f3logos, fil\u00f3sofos e soci\u00f3logos face \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\"><strong><i>Por Mariana Bombo Perozzi Gameiro<\/i><\/strong><\/p>\n<p align=\"right\"><a href=\"http:\/\/www.ruras.ufscar.br\/?attachment_id=422\" rel=\"attachment wp-att-422\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-422 alignright\" alt=\"antropoc\u00e8ne\" src=\"http:\/\/www.ruras.ufscar.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/penser2.jpeg\" width=\"248\" height=\"203\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00faltima quinta e sexta-feira, 05 e 06 de novembro, o Coll\u00e8ge de France, em Paris, reuniu cientistas e acad\u00eamicos para um col\u00f3quio internacional intitulado \u201cComo pensar o antropoceno? Antrop\u00f3logos, fil\u00f3sofos e soci\u00f3logos face \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d. Coordenado por Philippe Descola, professor do Coll\u00e8ge de France, e por Catherine Larr\u00e8re, professora em\u00e9rita da Universidade Paris I \u2013 Panth\u00e9on-Sorbonne e presidente da Funda\u00e7\u00e3o de Ecologia Pol\u00edtica, o col\u00f3quio visava confrontar diferentes perspectivas daqueles que estudam as rela\u00e7\u00f5es entre as sociedades humanas, suas diversidades e seus ambientes. A iniciativa se insere num contexto de discuss\u00f5es e mobiliza\u00e7\u00f5es que antecedem a COP21, Confer\u00eancia das Partes sobre o Clima, a qual ter\u00e1 inicio no fim deste m\u00eas, em Paris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora o termo \u201cantropoceno\u201d tenha sido bastante utilizado durante as apresenta\u00e7\u00f5es, dando t\u00edtulo ao evento e a diversas das confer\u00eancias, sua validade cientifica e pr\u00e1tica n\u00e3o representa um consenso. De modo simplificado, o antropoceno designaria uma nova era geol\u00f3gica, marcada pelo peso das atividades humanas sobre os fen\u00f4menos geof\u00edsicos. Uma das perguntas que se coloca \u00e9 em que medida essa concep\u00e7\u00e3o acentua a responsabilidade de determinados grupos ou atores sociais no processo de degrada\u00e7\u00e3o do planeta e, contrariamente, em qual medida ela dilui essa responsabilidade ao expandir para a \u201chumanidade\u201d a interfer\u00eancia sobre o Sistema Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A emerg\u00eancia do termo \u00e9 geralmente atrelada a um artigo publicado em 2000 pelo qu\u00edmico Paul Crutzen e pelo bi\u00f3logo Eugene Stoermer, que pontuavam que a explos\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o humana, a demanda por \u00e1gua, a destrui\u00e7\u00e3o dos habitats naturais e a dram\u00e1tica perda de esp\u00e9cies evidenciavam o papel central da humanidade como uma for\u00e7a capaz de afetar a geologia e a ecologia da Terra. O termo aglutina o grego \u201canthropos\u201d, humano, ao sufixo \u201ccene&#8217;\u201d que significa novo ou recente, indicando o fim da era que vivemos, o holoceno (do grego \u201c&#8217;holo\u201d, todo). Uma das palestras do evento reivindicava, por\u00e9m, que id\u00e9ias similares j\u00e1 teriam sido lan\u00e7adas na d\u00e9cada de 1920, no pr\u00f3prio Coll\u00e8ge de France.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas ci\u00eancias sociais, tal inova\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica teria ganhado espa\u00e7o ap\u00f3s 2010, com a crise de dois paradigmas te\u00f3ricos precedentes: o do \u201crisco\u201d e o dos \u201climites\u201d. Ambos est\u00e3o presentes em diferentes correntes sociol\u00f3gicas e filos\u00f3ficas, o primeiro salientando que a irrup\u00e7\u00e3o da natureza no mundo social afeta a capacidade de decis\u00e3o pol\u00edtica dos agentes, suas racionalidades, e o segundo destacando os aspectos materiais da crise ecol\u00f3gica. A coexist\u00eancia de m\u00faltiplas abordagens e as possibilidades abertas no seio do pensamento social refletiriam, contudo, a persistente fragilidade epistemol\u00f3gica da id\u00e9ia de natureza nos saberes modernos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No evento, as discuss\u00f5es giraram em torno de aspectos como os povos, tempos e territ\u00f3rios do antropoceno, governan\u00e7a e pol\u00edticas clim\u00e1ticas, justi\u00e7a e solidariedade ecol\u00f3gicas, al\u00e9m de discuss\u00f5es cruzadas sobre capitalismo, ci\u00eancia, pol\u00edtica, filosofia e a moralidade da quest\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bruno Latour, na plen\u00e1ria de encerramento do col\u00f3quio, prop\u00f4s a substitui\u00e7\u00e3o do conceito de antropoceno pelo que ele chamou de \u201cNovo Regime Clim\u00e1tico\u201d. Para o reconhecido estudioso de Antropologia da Ci\u00eancia, as vantagens deste termo seriam a de manter a no\u00e7\u00e3o de que se trata de algo novo, marcando uma divis\u00e3o hist\u00f3rica; ressaltar, com a palavra \u201cregime\u201d a dimens\u00e3o material, econ\u00f4mica, pol\u00edtica, jur\u00eddica e social da quest\u00e3o; e associa-la \u00e0 um problema de governos e governantes. Isso possibilitaria um tratamento geopol\u00edtico da quest\u00e3o clim\u00e1tica, independente de um consenso na \u00e1rea da Estratigrafia (ramo da Geologia respons\u00e1vel por convencionar cientificamente as eras geol\u00f3gicas, cujo Comit\u00ea Internacional se reunir\u00e1 em 2016 num congresso que debater\u00e1, entre outros, a possibilidade de ado\u00e7\u00e3o oficial do termo antropoceno). Na plateia, a recep\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta de Latour tamb\u00e9m n\u00e3o foi unanime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O debate segue aberto, revelando a import\u00e2ncia do encontro entre a hist\u00f3ria dos povos e a hist\u00f3ria da natureza. Se a procura por um acordo comum entre as na\u00e7\u00f5es torna necess\u00e1ria a defini\u00e7\u00e3o de um interesse geral, sobre quais bases pol\u00edticas e cientificas pensar uma tal \u201cunidade da humanidade\u201d? O que significa isso, diante da diversidade antropol\u00f3gica das nossas sociedades?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resumo das apresenta\u00e7\u00f5es do col\u00f3quio pode ser encontrado neste <a href=\"http:\/\/www.ruras.ufscar.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Resumes.pdf\" target=\"_blank\"><i>link<\/i>.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Mariana Bombo Perozzi Gameiro Na \u00faltima quinta e sexta-feira, 05 e 06 de novembro, o Coll\u00e8ge de France, em Paris, reuniu cientistas e acad\u00eamicos para um col\u00f3quio internacional intitulado \u201cComo pensar o antropoceno? 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